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MOSTEIRO DE SÃO BENTO - RUA DOM GERARDO, 68

O primeiro mosteiro beneditino foi fundado na Bahia em 1581. No mesmo ano, o Provincial da Ordem decidiu pela fundação de uma instituição congênere no Rio de Janeiro. Cinco anos depois, chegaram ao Rio dois monges beneditinos: Frei Pedro de São Bento Ferraz, e Frei João Porcalho. Ficaram inicialmente na capela de Santa Luzia, na base do Morro do Castelo, mas a hostilidade com os padres Jesuítas logo tornou impossível a vizinhança.

Em 1590, receberam os monges uma dádiva generosa. Diogo de Brito de Lacerda, rico sesmeiro e comerciante do Rio, doou-lhes um morro(morro de Manuel de Brito, nome de seu pai) com capela no topo dedicada à N. Sra. da Conceição, no extremo da cidade, bem como muitos chãos, que iam da rua Direita ao morro da Conceição. Os monges ocuparam essas terras, adaptando-as para seu uso. Em 1617, iniciaram a construção do atual mosteiro, sob traça do engenheiro militar português Francisco de Frias da Mesquita, que viera ao Rio para projetar o Forte São Mateus, em Cabo Frio. Utilizaram de muita madeira, extraída da Ilha das Cobras, bem como arenito tirado de suas pedreiras na ilha das Enxadas e no morro da Viúva. Mas a obra foi muito lenta devido às invasões holandesas. Em 1633 foram lançados os alicerces, começando a obra pela capela-mór. Após 1659, um monge arquiteto, Frei Bernardo de São Bento Correia de Souza, levou adiante as obras, fazendo ligeiras alterações na disposição interna da igreja, que passou de uma para três naves, mas manteve a fachada primitiva, projetada no estilo maneirista em 1617 pelo engenheiro Francisco de Frias da Mesquita. Foi erguida entre 1633 e 1670 por Frei Bernardo de São Bento. A grande porta principal foi colocada pelo entalhador Frei Domingos da Conceição em 1671. A obra de cantaria do mosteiro anexo, iniciada pela ala que dá para a cidade, só foi concluída em 1755, quando foi ultimado o claustro projetado pelo engenheiro militar José Fernandes Pinto Alpoim em 1742. O prédio do atual Colégio São Bento só foi construído em 1910.

Terminada a obra interna de arquitetura em 1691, três anos depois foi iniciada a talha por Frei Domingos da Conceição. Em 1717 Alexandre Machado Pereira continuou a obra, baseada em modelo de madeira deixado por Frei Domingos. Entre 1789 e 1794 foi refeita a capela-mór em estilo rococó por Mestre Inácio Ferreira Pinto. Em 1800 tudo estava concluído.

Internamente, no trono do altar mór, está entronizada a magnífica imagem em talha barrôca policromada de Nossa Senhora de Montserrat, padroeira da ordem. Ladeiam-na duas outras, de São Bento de Núrsia e Santa Escolástica. São todas atribuídas aos entalhadores Simão da Cunha e José da Conceição e Silva, os quais também se atribuem as outras imagens de São Bernardo, São Caetano, N. Sra. Do Pilar (lado esquerdo), São Braz, Santa Gertrudes, São Lourenço e Nossa Senhora da Conceição (lado direito), existentes nos altares laterais do templo. Há muitas outras menores, anônimas. Existem muitos detalhes minuciosos na capela-mor, como a talha dourada rococó de Mestre Inácio Ferreira Pinto(1789/94), destacando-se o enorme anjo tocheiro talhado por Mestre José da Conceição e Silva. Mestre Inácio soube preservar as pinturas do século XVII feitas por Frei Ricardo do Pilar entre 1676/84, versando sobre a vida de santos beneditinos. Ladeiam a capela-mór dois imensos lampadários em prata, executados em 1791 por Mestre Valentim da Fonseca e Silva(1745-1813).

Ainda em seu interior, no lado esquerdo do templo, situa-se a capela do Santíssimo, construída e decorada entre 1795 e 1800 por Mestre Inácio Ferreira Pinto, onde antes existia o velho altar de São Cristóvão. É ornada com magnífica talha dourada rococó, onde Mestre Inácio quis representar na madeira a chama divina. Possui detalhes miúdos com temas sacros emblemáticos versando sobre a fé e a pureza da religião. É dotada de bela grade em talha rococó, atribuída igualmente a Mestre Inácio. Ao centro, existe uma curiosa coluna torsa usada como porta-bíblias, remanescente da antiga talha do altar-mór do séc. XVII, talhado por Frei Domingos da Conceição e desmontado no final do século XVIII.

A nave, com a talha barrôca iniciada em 1694 por Frei Domingos da Conceição e terminada no séc. XIX, possui preciosos detalhes que, na maioria, escapam aos turistas desatentos, como a grande imagem barrôca na entrada da igreja do Mosteiro de São Bento, talhada no final do séc. XVIII, atribuída a José da Conceição e Silva. Segundo o crítico de arte Germain Bazin, não se trata de uma santa, mas sim de alegoria da Vida Lenitiva, ou seja; a vida dentro da religião. É considerada pelo mesmo crítico como sendo a melhor imagem sacra existente em igrejas no Rio de Janeiro. Foram entalhadores na nave: Frei Domingos da Conceição(séc. XVII); Alexandre Machado Pereira (séc. XVIII) e Mestre Inácio Ferreira Pinto (séc. XVIII/XIX). Foram santeiros: Simão da Cunha e José da Conceição e Silva.

Depois de todas essas obras, foi o mosteiro vítima de alguns sinistros. Ainda em construção, foi alvejado por tiros de canhão e saqueado pelas tropas francesas do corsário René Duguay Trouin em 1711. Já em 1728, sofreu o mosteiro pavoroso incêndio, que quase o destruiu por completo. Como se fosse pouco, em 1808, cogitou D. João de ocupá-lo, transformando-o em seu Palácio Real. Não o fez, mas sediou no velho cenóbio duas guarnições do exército, que causaram não poucos danos. Seu filho, D. Pedro I, colocou mais duas tropas ali sediadas. Em 1842, quando saíram, só deixaram ruínas para os monges. Logo depois D. Pedro II proibiu a entrada de noviços, o que conduziu a casa a um período de decadência que durará todo o século XIX. Na República, a vinda de monges belgas em 1896, chefiados por D. Gerardo, deu novo ânimo à ordem. Foi o mosteiro alvejado por balas na revolta da Esquadra, em 1910; bem como na revolta do Forte de Copacabana, em 1922, quando uma bomba atingiu o claustro, sem explodir.

Tombado em 1938, foi restaurado integralmente em 1969/70, quando se demoliu o prédio antigo do Colégio São Bento, refazendo-se então a portaria original esquerda, que havia sido demolida em 1910. Tornou-se o maior relicário da arte sacra na região sudeste, e, quiçá, do Brasil. Hoje, sua tradicional missa gregoriana é disputadíssima pelos fiéis e turistas que acorrem a êle nas manhãs de domingo

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