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LARGO DE SÃO FRANCISCO

Até 1733, a cidade do Rio de Janeiro terminava logo depois da rua da Vala, atual Assembléia. O motivo era simples, um muro, construído à partir de 1713 para defesa da cidade limitava seu crescimento, pois terminava logo atrás da igreja de N. Sra. do Rosário. Em 1733, o General Gomes Freire de Andrade, Conde de Bobadela, Governador e Capitão General da parte sul do Brasil, ordenou sua demolição, haja vista a inutilidade do mesmo. Todas as nascentes situavam-se fora das muralhas, e estas eram tão mal construídas que costumavam desabar com as chuvas sobre as casas que, em tese, deveriam resguardar.

Postos os muros abaixo, diversos terrenos foram logo aforados e ocupados com arruamentos. Atrás da Igreja de N. Sra. do Rosário existia uma lagoa de águas fétidas, a "Pavuna"(Lagoa Negra), a qual Gomes Freire ordenou aterrar e arruar. O engenheiro militar José Fernandes Pinto Alpoim procedeu às obras, tendo feito projeto de uma grande praça onde seria construída a nova Igreja da Sé do Rio de Janeiro. Isso foi feito em 1742.

A Sé do Rio de Janeiro fora inicialmente instalada por Mem de Sá no morro do Castelo em 1567, numa grande igreja em pedra e cal, com três naves, concluída ainda em 1583. A mudança de grande parte da população para a várzea fez o cabido da Sé perambular pela Igreja de São José e por duas vezes para a Igreja da Santa Cruz dos Militares. Em 1737 fôra a Sé para a Igreja do Rosário, onde permaneceria por setenta e um anos, até que D. João a transferiu em 1808 para a capela dos carmelitas descalços.

Bobadela iniciou o novo templo ainda em 1745, mas outras prioridades levaram-no a desviar recursos da igreja para reforço de fortalezas. Alpoim projetou uma grande igreja de três naves, mas as obras arrastaram-se até 1795, quando foram interrompidas pelo Vice-Rei D. José Luís de Castro, Conde de Rezende, quando já estavam bem adiantadas. Nunca mais foram retomadas. D. João, quando chegou ao Brasil em 1808, não pensou nem em aproveitar o que já estava pronto. Em 1812, autorizou seu cabeleireiro, Fernando José de Almeida, a retirar pedras da construção para erguer o terceiro teatro da cidade, o Real Teatro São João, inaugurado a 12 de outubro de 1813 no "Campo da Lampadosa", atual Praça Tiradentes.

Uma parte posterior da Sé inacabada, por sua vez, seria convertida em escola militar à partir de 1812. Essa escola cresceria em importância após a Independência, tendo D. Pedro I designado seu arquiteto particular, Pedro José Pezerat, para projetar um edifício decente aproveitando ao máximo o que já estava construído. As obras duraram de 1827 a 1831, resultando num sóbrio edifício neoclássico em pedra e cal, com dois pavimentos, encimados por um frontão triangular. Em 1873 D. Pedro II transferiu a escola militar para a Praia Vermelha, passando a funcionar no prédio do Largo de São Francisco a "Escola Politécnica", berço dos grandes engenheiros nacionais. Em 1906, com a expansão das aulas, ganhou mais um andar e novo frontão clássico com bela colunata monumental. Quando se tornou a Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil, em 1948, ganhou o quarto pavimento. Hoje, com a escola de engenharia transferida para a Ilha do Fundão, no velho prédio funciona o IFICS - Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Se a Igreja da Sé nunca passou da fase de obras, outra igreja colonial acabaria batizando definitivamente o Largo. Os Irmãos Terceiros de São Francisco de Paula iniciaram seu templo em pedra e cal no ano de 1752. Era uma bonita igreja inspirada no templo congênere de Lisboa. Cinqüenta anos depois, o grosso do templo estava concluído, quando se passou à decoração interior. A talha da capela-mór foi executada por Mestre Valentim da Fonseca e Silva em 1800/08, sendo uma de suas últimas obras. Valentim igualmente entalhou a bela capela do Noviciado, na mesma igreja. Em meados do século XIX, a talha da nave foi ultimada pelo artista Antônio de Pádua e Castro, que se esmerou para que a nova obra se harmonizasse com a antiga. O sino da tôrre esquerda, dava o sinal do toque de recolher ás 22:00h durante o primeiro Império. Era conhecido como sino "Aragão", haja vista ser ordem deste intendente de polícia para que tal toque fosse dado. Quem fosse apanhado quinze minutos depois perambulando pela rua passaria a noite na cadeia. O sino da direita era alugado, por sua vez, aos irmãos da Ordem Terceira da Penitência, cuja igreja no Largo da Carioca era proibida de ter sinos por imposição do vizinho Convento de Santo Antônio.

O primeiro e único monumento do Largo foi a estátua pedestre em bronze do Patriarca da independência José Bonifácio de Andrada e Silva(1763-1838), inaugurada a 07 de setembro de 1872 no centro do Largo, obra do artista francês Louis Rochet. Foi o segundo monumento público da cidade(o primeiro foi a estátua eqüestre de D. Pedro I na praça da Constituição, hoje praça Tiradentes). Na mesma ocasião, a antiga rua do "Fogo" foi rebatizada para "Andradas". Nesse mesmo ano, o paisagista francês Auguste Marie François Glaziou executou um lindo jardim em estilo inglês para o largo, de efêmera duração, já que em 1890 fôra destruído.

Local de grande circulação, era o Largo de São Francisco ponto de parada das Gôndolas da Companhia Fluminense, transporte coletivo surgido em meados do século XIX, antepassado de nossas modernas "vans". Transportavam doze pessoas cada, e era, basicamente, uma carrimpana puxada por duas bestas. Em fins do século XIX, surgiu na esquina do Largo com rua do Ouvidor o disputado Café Java, de longa vida na história da boemia carioca. Na mesma ocasião, surgiu na esquina de rua Ramalho Ortigão o magazine "Parc Royal, fundado pelo comendador português Ramalho Ortigão e que foi nossa primeira loja de departamentos da cidade, de longa existência, só terminando seus dias consumida por grande incêndio em 1943. Foi a primeira casa comercial a possuir escadas rolantes no Brasil.

Ocupado por prédios modernos que disputam seu espaço reduzido com os edifícios antigos, onde ainda podemos encontrar casas comerciais oriundas do século XIX(principalmente as da rua do Teatro, que parecem ter parado no tempo), o Largo de São Francisco passou por recente reordenamento pela engenharia de tráfego que retirou dele as principais paradas de ônibus, descongestionando esse logradouro de notável expressividade cênica, e que já se impôs como grande vetor comercial do centro da cidade.

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