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ILHA DAS COBRAS - BAÍA DE GUANABARA

Seu antigo nome foi "ilha da Madeira", pois consta que era recoberta por florestas. Em 1567, foi dada em sesmaria ao negreiro João Gutiérrez Valério. Seu negócio faliu depois de alguns anos, sendo a ilha arrematada por um particular que a repassou em 1589 aos monges de São Bento. Durante um século ela forneceu madeira e pedras para construção do mosteiro. No século XVII, recebeu o nome definitivo de ilha das Cobras, pois consta ter sido infestada pelos ofídios.

No segundo quartel do século XVII, a ilha foi parcialmente requisitada pelo Govêrno, que fez levantar no topo o forte Santa Margarida. Esta fortificação, que era de barro e madeira, explodiu durante a segunda invasão francesa em setembro de 1711. Já em 1713 pensavam os portugueses em levantar novo forte. Somente em 1739 foi levantada a Fortaleza de São José, erguida pelo Governador Gomes Freire de Andrade, Conde de Bobadela, sob projeto do engenheiro militar José da Silva Paes. Por erros em sua construção, nunca foi posta em ação, servindo como quartel e presídio. Nela foi levado preso, a 10 de maio de 1789, o Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, por seu envolvimento com a Conjuração Mineira. Trancafiaram-no na cela no 3, do cubículo no. 5, conjuntamente com os literatos Thomaz Antônio Gonzaga e Inácio Xavier de Alvarenga Peixoto. Só saíram de lá a 20 de abril de 1792, quando todos foram levados para a Cadeia Velha, no centro, onde ouviram suas sentenças.

Após a chegada de D. João, em 1808, recebeu a ilha diversas instalações militares. Em 1810, para ela foram transferidos o Hospital Naval e o Arsenal de Marinha da Côrte, este ultimo fundado em 1763 pelo Conde da Cunha na base do morro de São Bento. Ambos ainda estão lá. Cem anos depois, em 1910, a ilha foi ligada ao continente pela ponte pênsil Almirante Alexandrino de Alencar, substituída em 1930 pela nova ponte Almirante Arnaldo Pinto da Luz. Em 1927 a ilha das Cobras foi ligada à ilha Fiscal por um molhe.

Hoje nela funcionam o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, o maior da América Latina; o Hospital Naval, na antiga fortaleza de São José, com um pequeno museu dedicado à Tiradentes e a capela de São José, de 1739; um presídio correcional da Marinha; o Serviço de Documentação da Marinha; e o atracadouro de muitos navios da esquadra, ressaltando-se o porta aviões Minas Gerais, fabricado na Inglaterra em 1945 e comprado pelo Brasil onze anos depois, bem como outras unidades.

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