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IGREJAS DO RIO DE JANEIRO

 

IGREJA DA ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO DA PENITÊNCIA

A Ordem Terceira de São Francisco se instalou no Rio de Janeiro em 1619. A primeira capela, dedicada à Nossa Senhora da Conceição, foi construída perpendicularmente à igreja conventual. Em 1653, o Convento doou aos terceiros um terreno ao lado da capela, onde em 1657, os irmãos Terceiros iniciaram seu templo. A construção foi em grande parte concluída em 1736, se bem que alguns detalhes só foram terminados em 1773

Entretanto, é na decoração interna que esta igreja mais se distingue, haja vista que nela foi feita a primeira talha rococó do Rio de Janeiro. Manuel de Brito, entalhador português fez o retábulo do altar-mór em 1726/32. Em 1732 esculpiu um púlpito. Francisco Xavier de Brito, escultor, que não se sabe se era parente de Manuel, fez a talha do arco cruzeiro até a cimalha em 1735. De 1736 a 38, fez os seis altares laterais. Manuel de Brito novamente aparece, tendo feito as talhas que recobrem as paredes da nave em 1739/40, bem como refez a cimalha, considerada imperfeita pela Ordem.

Caetano da Costa Coelho, pintor, dourou toda a obra da capela-mór e oito quadros em 1732. Quatro anos depois, Caetano pintou as imagens dos santos para os altares. De 1736 a 43, Caetano fez a belíssima pintura do teto da nave, considerada uma das mais espetaculares perspectivas barrocas do Brasil. No século XIX, a pintura sofreu restaurações que não a adulteraram.

A capela do Noviciado, ou capela de N. Sra. da Conceição, também possui um altar-mór de Francisco Xavier de Brito, feito antes de 1741, pois nesse ano nosso mestre estava já em Minas Gerais, fazendo a talha da Igreja do Pilar de Vila Rica. Esta talha, a primeira experiência rococó entre nós, foi recentemente restaurada às suas linhas originais.

 

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CANDELÁRIA - PRAÇA PIO X

Esta igreja, uma das mais importantes do Rio de Janeiro, surgiu, como tantas outras, do cumprimento de uma promessa feita pelo casal Antônio Martins Palma e Leonor Gonçalves. Pelos idos de 1609, rumando este casal na Nau Candelária, das Ilhas Canárias para a Índia, sofreu grande borrasca que quase fez o barco soçobrar. Prometeram erguer capela onomástica da Santa do navio no primeiro porto seguro onde chegassem. Aportando ao Rio de Janeiro, cumpriram o prometido. Era originalmente uma pequena ermida, em posição transversal ao templo atual. Em 1634 foi elevada à sede paroquial, a segunda da cidade. Uma irmandade foi criada para mantê-la, sendo reerguida em 1710. Estando o templo necessitando de grandes reparos, decidiu a mesa em 1774 pelo erguimento de novo templo, maior, cujos planos foram entregues ao engenheiro militar e Sargento-Mór Francisco João Roscio, iniciando as obras em 1775, pela fachada. Foi seu mestre-de-obras o português Marcelino Rodrigues de Araújo. Em 1811, era esta inaugurada pelo Príncipe D. João.

As obras prosseguiram com muita lentidão. Em 1830 estavam prontas as paredes laterais da nave e a capela-mór. Quando já iam bem adiantadas as obras, resolveu a irmandade fazer a igreja com três naves, o que impôs a reconstrução de quase tudo que estava edificado. Em 1856 terminava-se a abóbada da nave, faltando a cúpula. Esta, representou à época um desafio para a engenharia nacional, resolvendo a mesa diretora por fazê-la de tijolos, resistindo aos que advogavam sê-la em madeira. Fez o projeto o arquiteto Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, iniciada em 1857 pelo arquiteto Job Justino de Alcântara Barros. De 1865 a 1870 continuou as obras o arquiteto Gustav Waehneldt, e de 1872 a 74, o engenheiro Daniel Pedro Ferro Cardoso. Completou a obra em 1877 o engenheiro Evaristo Xavier da Veiga.

O revestimento da cúpula e as estátuas de mármore branco de Cintra, foram feitos em Portugal pelo artista José Cezário de Salles, e sua colocação exigiu um guindaste especial projetado unicamente para erguê-las. A cruz de bronze da cúpula foi executada por Manoel Joaquim Moreira, o mesmo serralheiro do Palacete da Ilha Fiscal. Quando pronta, atingia a 64 metros de altura e era a construção mais alta da cidade. Foi mestre de obras da cúpula o português José Francisco dos Santos.

A decoração interna demorou muito a ser executada. Ainda em fins do século XVIII, encarregou-se a decoração da capela-mór a Mestre Valentim da Fonseca e Silva, mas seus ornatos foram arrancados em 1880 para se colocar um revestimento em mármores italianos, cujos desenhos foram executados por Antônio de Paula Freitas e Heitor de Cordoville. Encarregou-se da obra a empresa Pierroni e Cresta, mandando vir da Itália o artista Alexandre Manfredi para sua execução. Os detalhes em gesso foram executados pelos artistas Bartolomeu Alves Meira e Henrique Levy.

As pinturas da cúpula, representando a Virgem, conjuntamente com as três Virtudes Teologais(Fé, Esperança e Caridade) e as quatro Virtudes Cardeais(Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança), bem como as figuras das trompas(Jessé, Isaías, David e Salomão), foram executadas pela técnica de "marrouflage" pelos artistas João Zeferino da Costa e Henrique Bernardelli. Trabalharam como ajudantes: Augusto Rodrigues Duarte, Oscar Pereira da Silva, Guilherme G. dos Santos, João Batista Castagnetto, Sebastião B. Fernandes, Antônio Raphael Pinto Bandeira, J. F. Gomes de Souza, J. Victorino da Costa, sendo o douramento executado pelo artista Antônio de Souza Lobo. Posteriormente, foram feitos mais seis quadros colocados na abóbada fronteira, com episódios da vida da Virgem, bem como as pinturas do côro. Havia a previsão de mais dois painéis, versando sobre a Coroação da Virgem e a Invocação de Santa Cecília.

O batistério em madeira e bronze, bem como os painéis laterais da nave foram executados pelos torêutas José Ferreira Tunez e Gomes Ribeiro. Os vitrais das janelas do côro foram feitos por F. H. Zettler de Munique, sendo que os modelos escolhidos da Virgem e do Menino Jesus foram, respectivamente, a segunda esposa e filho do teatrólogo Arthur Azevedo. O vitral do altar-mór, executado em 1923, foi desenhado pelo professor e arquiteto Archimedes Memória. Os dois imensos púlpitos em mármore branco e bronze, foram esculpidos em estilo art-nouveau no ano de 1931, pelo escultor português Rodolfo Pinto do Couto.

As belíssimas portas em bronze foram executadas pelo escultor português Teixeira Lopes, tendo sido vertidas em bronze pelo fundidor francês Capitain e Salin. Figuraram as portas na grande Exposição Mundial de 1889, em Paris, tendo na ocasião feito enorme sucesso. Foram instaladas em 1901 pelo engenheiro Antônio de Paula Freitas.

As duas sacristias laterais foram construídas em 1877/78 pelo engenheiro Paula Freitas, sendo a decoração em madeira de jacarandá executada pelo artista José Ferreira Tunez.

Já em 1828, falava-se na mesa diretora de comprar as casas fronteiras para demoli-las e assim realçar a fachada, entalada entre construções pequenas. Em 1942, quando foi aberta a avenida Presidente Vargas, ficou a igreja isolada pelos quatro lados, numa praça posteriormente batizada como Pio X. Houve uma tentativa, proposta pelo engenheiro José de Oliveira Reis, de girar a imensa igreja para que ficasse de frente para a nova avenida. Os custos necessários para tal obra inviabilizaram a idéia. Um outro projeto, que previa a construção de uma nova fachada nos fundos do templo igualmente foi abandonada pelos altos custos.

Havia uma previsão, em 1937, de ornar a avenida com palmeiras reais, coisa nunca levada adiante. Em 1988, o Prefeito Roberto Saturnino Braga colocou a estátua fontenária "A Oferenda", do escultor Humberto Cozzo, no jardim fronteiro ao templo. Esta estátua, que representa uma jovem despida segurando um cântaro estava originalmente na Praça Marechal Floriano, onde foi inaugurada em 1932 pelo Prefeito Pedro Ernesto Batista. Depois, esteve por muitos anos no Largo da Glória.

O estilo geral da igreja é o barroco-pombalino, vigente em Portugal durante os reinados de D. José I e D. Maria I. Ela é muito parecida com a igreja conventual de Mafra, bem como a Basílica da Estrela, em Lisboa, ambas construídas no século XVIII. O classicismo rigoroso da fachada, projetada e construída ainda no século XVIII, casou-se muito bem com a cúpula neoclássica feita em meados do século XIX.

Houve uma intenção, nunca concretizada, mas manifestada, pelo Imperador D. Pedro II, de que sua filha, a Princesa Isabel, fosse coroada Imperatriz, após sua morte, na Igreja da Candelária. A Proclamação da República, em 1889, acabou com o sonho.

IGREJA DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO - RUA 1O. DE MARÇO

A Ordem Terceira do Carmo foi fundada em 1648, e funcionou numa capela erguida nos fundos da igreja conventual. Desentendimentos com os frades carmelitas levou a Ordem a construir seu próprio templo, num terreno doado em 1749 na rua Direita. Em 1752 foi decidida a construção do novo templo, cujas obras, entretanto, só começaram em 16 de julho de 1755, após muitas divergências. Atribui-se o projeto do templo ao Mestre Manoel Alves Setúbal, que foi seu construtor. Em 1755, um novo risco, proposto por Frei Xavier Vaz de Carvalho foi aprovado para o interior do templo. A porta principal e uma lateral em mármore de Lióz foi encomendada a canteiros de Portugal em 1760 e colocadas na igreja no ano seguinte. No ano de 1770, a igreja foi declarada terminada, à exceção das torres, sendo rezada a primeira missa no dia 10 de julho, durando as festividades quatro dias. Em 1772, foi decidido construir a Capela do Noviciado, no lado oposto à sacristia. Quanto às torres, só foram projetadas em 1846 e construídas de 1847 a 50 pelo professor de desenho da Academia Imperial de Belas Artes, Manuel Joaquim de Melo Corte Real.

A talha interna foi confiada ao Mestre Luís da Fonseca Rosa, que segundo se consta, foi mestre de Valentim da Fonseca e Silva, que também ali trabalhou. Fonseca Rosa trabalhou no retábulo da capela-mór de 1768 a 1780. Mestre Valentim executou pequenos trabalhos de 1780 a 1800 na capela-mór. A talha do corpo da igreja data do século XIX, executada em 1855 por Mestre Antônio de Pádua e Castro, em estilo rococó tardio.

A Capela do Noviciado, construída em 1772, recebeu um altar-mór feito entre 1772/73 por Mestre Valentim da Fonseca e Silva. Em 1796/97 o mesmo artista fez em estilo rococó o altar de Nossa Senhora das Dores. Os painéis à óleo desta capela, com temas sacros, são atribuídos à Manuel da Cunha. A policromia em branco e ouro desta capela foi executada apenas em 1852. Recentemente foi a mesma restaurada.

IGREJA DE NOSSA SENHORA MÃE DOS HOMENS -R. DA ALFÂNDEGA

Uma confraria de devotos desta santa foi formada em 1850, no Rio de Janeiro. Oito anos depois, o Bispo Frei Antônio do Destêrro autorizou a formação de uma Irmandade. Esta resolveu edificar um templo, já que até então o culto era praticado num oratório de rua. Iniciadas as obras em 1858, a construção foi rápida, sendo que já em 1779 trabalhava-se na fachada. O altar-mór foi executado em 1789/90. A talha do arco-cruzeiro, do mesmo estilo, deve ter sido executada na mesma ocasião. Estes trabalhos são atribuídos a Mestre Inácio Ferreira Pinto. A nave, em excepcional formato octogonal, só foi decorada em meados do século XIX, com trabalhos em estilo rococó-tardio, devidos a Antônio de Pádua e Castro. Na capela-mór há painéis pintados pelo artista Joaquim Lopes de Barros Cabral. Toda a fachada foi refeita em estilo neoclássico entre 1856/63 pelo arquiteto Francisco Joaquim Bethencourt da Silva.

Por algumas semanas, entre meados de abril e princípios de maio, esteve escondido numa sala deste templo o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, denunciado ao Vice-Rei como integrante do movimento da Conjuração Mineira. Tiradentes, considerando ser a igreja muito freqüentada, mudou seu esconderijo para uma casa na rua dos Latoeiros, atual Gonçalves Dias, onde foi preso a 10 de maio de 1789.

Na sacristia existe um raro arcaz em madeira de jacarandá, de talha de tremidos, trabalhado em 1691 por Frei Domingos da Conceição para o Mosteiro de São Bento, e substituído cem anos depois por outro entalhado por Inácio Ferreira Pinto.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO E BOA MORTE

A Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte foi criada em 1663, na igreja do Convento do Carmo. Já a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição dos Pardos foi instituída em 1700 na Igreja da Sé, do morro do Castelo. Ambas logo desentenderam-se com as igrejas onde praticavam culto, o que as levou a erigir novo templo. Fundaram então, em 1721, uma capelinha na esquina de rua do Rosário com Ourives. Crescendo o número de irmãos, decidiram construir uma igreja maior.

Em 1735 foram lançadas as fundações do novo templo, cujas obras foram dirigidas à partir de 1738 pelo engenheiro militar e Sargento-Mór José Fernandes Pinto Alpoim. Em 1756 era colocada a portada, talhada em mármore de Lióz, vinda de Lisboa. Os detalhes só foram ultimados em 1816.

Quanto à decoração interna, possui este templo uma curiosa capela-mór octogonal, abrigando um altar-mór barroco executado em 1774 por Mestre Valentim da Fonseca e Silva, e reputado como sua primeira grande obra de talha. Guarnecem as paredes quatro grandes quadros à óleo dos evangelistas, anônimos. A santa padroeira barroca em madeira que está no altar-mór veio de Portugal, tendo sua imagem servido de modelo pelos torêutas para várias outras da cidade. A sacristia, reconstruída no século XX, possui um altar moderno feito em 1932.

Entre 1903/05, foi aberta a avenida Central, hoje Rio Branco, tendo o engenheiro Paulo de Frontin entortado propositadamente o novo logradouro para não atingir o velho templo, de cuja santa era devoto. O cunhal da fachada passa a menos de três metros do alinhamento. No pequeno espaço do lote entre a igreja e o alinhamento, subiu então um casarão de três andares, em estilo eclético, onde por muitos anos funcionou a "Casa Simpatia". Por causa da proximidade da velha igreja, algumas janelas da fachada não abrem por absoluta falta de espaço interno.

A tôrre foi refeita em 1906 pelo arquiteto Raphael Rebecchi, sendo o curioso conjunto, engastado entre as ruas do Rosário, Miguel Couto, Buenos Aires e avenida Rio Branco, de perfeita harmonia, hoje todo ele tombado pelo IPHAN.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO - RUA URUGUAIANA

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, dos dois santos padroeiros dos negros, foi aprovada a 22 de março de 1669. Em princípio teve sua sede num altar lateral na Igreja Matriz de São Sebastião, no morro do Castelo. Entretanto, assim que essa Matriz foi elevada à Catedral, em 1676, os irmãos do Rosário começaram a ter problemas com os cônegos da Sé. Em 1700, decidiram construir uma igreja própria, na rua da Vala(atual Uruguaiana), aberta em 1679 e que, naqueles tempos era o limite da cidade. A capela-mór, iniciada em 1701, era quatro anos depois era entregue ao culto. Em 1710 a fachada estava pronta. Construído aos poucos, em 1725 era o templo considerado terminado.

Por ironia do destino, o fato de a velha Matriz de São Sebastião, que remontava ao século XVI, ameaçar ruir, obrigou a sede episcopal do Rio a uma peregrinação, desde 1703, pelas igrejas da Santa Cruz dos Militares (1703/4, e depois 1734/7), São José(1704/34), fosse transportada em 1737 para a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, onde, apesar das queixas da confraria, permaneceu até 1808, época em que o Príncipe D. João a transferiu para a Igreja Conventual do Carmo.

A igreja é interessante por seu plano muito alongado, com a capela-mór profunda e corredor em apenas um lado(Evangelho). Desde 1772, a capela-mór e a igreja tiveram de ser restauradas. Em 1773, a capela-mór foi reconstruída. Até então possuía uma pequena tôrre do lado do Evangelho. Nessa ocasião foi levantada a segunda tôrre, mas eram desiguais.

Em 1812 foi sediado em seu Consistório a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, que ali ficou até 1825. Foi dali que saiu, a 09 de janeiro de 1822, a primeira procissão política do Brasil em direção ao Paço, solicitando que o Príncipe D. Pedro não retornasse à Portugal. Chefiou o movimento seu Presidente, o jornalista e Provedor da Misericórdia José Clemente Pereira. O resultado foi o famoso "Fico", que abriu caminho para nossa Independência.

O templo foi extensamente reformado no século XIX, quando as tôrres foram reconstruídas e ganhou a fachada novo frontispício. Apenas a portada do início do século XVIII, em pedra, foi mantida. Internamente, ganhou decoração em talha e altares em estilo rococó tardio, executados pelo artista brasileiro Antônio Jacy Monteiro. O templo foi tombado pelo SPHAN em 1938, funcionando nos fundos o "Museu do Negro".

Foi a igreja destruída por duas vezes. A primeira, em 1711, pelos franceses chefiados por René Duguay Trouin. A segunda, em tragédia de piores proporções, por grande incêndio em 1967, começado por uma vela numa sala lateral e que se espalhou por todo o templo, perdendo-se assim toda a decoração interna, altares, santos, arquivos e o precioso "Museu do Negro", que funcionava nos fundos.

Restaurada, resolveu-se não reconstruir o interior. Sendo assim, não possui obras de arte, ressalvando-se sua nobre arquitetura. É vulgarmente conhecida pelos cariocas como "Igreja da Escrava Anastácia", por causa de uma lenda de uma negra escrava que teria sido sacrificada por seu senhor por não querer se submeter. Apesar de não haver documentação alguma que comprove essa lenda, devem ter existido muitas "Anastácias" pelo Brasil.

IGREJA DE SANTO ELESBÃO E SANTA EFIGÊNIA - R. DA ALFÂNDEGA

Esta pequena igreja, fundada por uma confraria de pretos, foi iniciada por uma provisão de 24 de janeiro de 1747. Foi entregue ao culto em 28 de agosto de 1754. Seu prestígio caiu muito no século XIX, principalmente após a emancipação dos escravos em 1888. Pouco tempo depois, a igreja fechou as portas por falta de fiéis. Em 1913 se encontrava em ruínas e por isso sofreu uma profunda remodelação.

Sua fachada, ladeada por um campanário de remate piriforme, possui um frontão clássico reto e lembra o tipo de fachadas do século XVII.

Internamente, sofreu profundas alterações no século XX que tiraram todo o interesse. Em 1942, esta igreja recebeu os santos da igreja demolida de São Domingos, alguns datando do princípio do século XVIII.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA LAMPADOZA - AVENIDA PASSOS

Construída por uma irmandade de pretos em terreno cedido pelo Padre Plácido Pereira dos Santos, em virtude da provisão de 20 de setembro de 1747. Iniciadas as obras da capela em 1749, em 31 de agosto de 1772 inauguraram-na.

A 21 de abril de 1792 ali se demorou, por minutos, para adorar a Eucaristia, o Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, quando se dirigia ao local do suplício.

Ao lado da capela de Nossa Senhora da Lampadoza existiu pequeno cemitério de escravos. Interditavam-no, anualmente, a 06 de janeiro, dia consagrado ao Santo Rei Baltazar, do culto dos negros "Rebolos-Bundo", de Angola.

Nesse dia e também aos domingos e feriados, costumavam os pretos sair à rua aos magotes. Por meio de suas danças e exibição de capoeira, recebiam espórtulas que revertiam a favor do culto.

A capela foi extensamente reformada na segunda metade do século XIX, quando recebeu uma fachada de linhas neogóticas. Finalmente, foi demolida em 1922, sendo em seu lugar erguido um templo em estilo neocolonial(apesar do antigo ser da época colonial!), projetado por "Terra & Irmãos", só sobrevivendo do edifício antigo alguns santos e paramentos.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA LAPA DOS MERCADORES

No ano de 1743, vários comerciantes e moradores da rua do Ouvidor, no trecho denominado "da Cruz"(entre a rua do Mercado e Primeiro de Março), ergueram um oratório dedicado à N. Sra. da Lapa dos Mercadores na esquina de uma casa. Em 20 de junho de 1747, os comerciantes dos arredores da rua da Cruz se reuniram para decidir a formação de uma irmandade e a conseqüente edificação de um templo em honra à Nossa Senhora da Lapa. Esta igreja foi chamada "dos Mercadores".

Emitida a provisão para sua edificação a 04 de novembro de 1747, em dezembro seguinte, foram lançadas as fundações deste gracioso templo de planta elíptica. Desde 06 de agosto de 1750, já se podia benzer uma parte da igreja que estava pronta para o exercício do culto. De 1753 a 1755, concluíram-se os trabalhos. A decoração interna ficou pronta em 1766.

De 1869 a 1879, a igreja sofreu uma remodelação que eqüivalia a uma reconstrução. Nessa ocasião fez-se a entrada por uma galilé de três arcos fechada por grades de ferro e construiu-se a tôrre sineira central. A capela-mór foi muito ampliada. Durante as obras, foi encontrado enterrado atrás da igreja um grande medalhão circular em mármore de Lióz representando a coroação da Virgem. Provavelmente estava destinado à Igreja da Ordem Terceira da Penitência, a qual pertencia o aludido terreno, e que, por algum motivo, não foi aproveitado. Foi então afixado à fachada principal, sobre a janela do côro. Duas esculturas em vulto redondo de santos em mármore de Lióz, feitas em Portugal, foram colocadas em nichos da fachada. Uma terceira, representando a religião, foi posta na tôrre.

Na decoração interior, muito colorida como era do gosto da classe comercial, as talhas de madeira se confundem com o estuque. Toda a obra de talha foi executada por Antônio de Pádua e Castro e os trabalhos em estuque por Antônio Alves Meira. Este último era de uma família de estucadores, cujo irmão trabalhou no interior da Candelária. Apesar da data tardia, a decoração da Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores possui um estilo rococó tardio muito razoável e um conjunto muito gracioso.

Quando estourou a revolta na armada brasileira, em 06 de setembro de 1893, um tiro disparado alguns dias depois pelo encouraçado Aquidabã atingiu a tôrre sineira do templo, derrubando a estátua da Religião, que, apesar da queda de mais de vinte e cinco metros, sofreu poucos danos, sendo o fato considerado milagroso. Tanto a estátua quanto a bala encontram-se hoje na sacristia. Na tôrre, por sua vez, foi depois instalado o primeiro carrilhão da cidade, anterior ao da Igreja de São José.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO BONSUCESSO

A Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro foi fundada na base do morro do Castelo em março de 1583 pelo Padre José de Anchieta, para atender os doentes da esquadra espanhola de Diogo Flores Baldez, que havia aportado ao Rio naquela ocasião. Em época não especificada, mas talvez logo depois, foi fundada no hospital uma capela em honra à Nossa Senhora da Misericórdia, padroeira da casa. A capela é citada num mapa de 1613 feito pelo holandês Dirk Ruiters.

No século XVII, foi-lhe trocada a invocação para Nossa Senhora do Bonsucesso, que era uma santa adorada num dos altares laterais. Sendo o templo de pequenas dimensões, resolveu a Irmandade construir outro maior. Em 1724 a Irmandade lançou a pedra fundamental de uma nova capela-mór, executada em 1724/25 pelo pedreiro Paulo Ribeiro, mas a crônica falta de verbas impediu que se ampliasse a nave principal. Fez a planta da nova capela o Brigadeiro José Fernandes Pinto Alpoim, em 1760, mas a falta de recursos adiou a construção, que só pôde ser concluída em 1780. A fachada, muito simples, possui duas janelas no côro e frontispício jesuítico.

Em seu interior, a talha é do século XIX e muito pobre. O altar-mór foi feito em 1822, por uma doação de D. Pedro I. Cem anos depois, a igreja veio a receber três altares e um púlpito da Capela de Santo Inácio do Colégio dos Jesuítas, do morro do Castelo. Estes altares são interessantes, pois foram esculpidos em estilo maneirista por volta de 1620 e são os mais antigos do Rio. Na sacristia, há um belo lavabo português barroco em pedra do início do século XVIII. Funciona ali um pequeno museu de arte sacra, com santos, pinturas e as bandeiras da Irmandade, inclusive a que acompanhou o cortejo final de Tiradentes em 1792.

IGREJA DE SANTA LUZIA - RUA DE SANTA LUZIA – CASTELO

Relatos quinhentistas informam que em 1592 um devoto fundou na base do morro do Castelo, fronteiro a uma praia, a capelinha em louvor à Virgem siracusana em cumprimento de uma promessa de cura considerada milagrosa. Esta praia é conhecida por muitos relatos, pois foi o primeiro pôrto comercial da cidade. No século XIX seria afamado balneário público.

Como a ermida era pequena, foi posteriormente constituída uma irmandade de devotos que obteve a 12 de janeiro de 1752, permissão para levantar novo templo. Esta igreja, que é a atual, era muito simples, com uma porta central e uma única tôrre. Em 1872 foi muito ampliada, quando ganhou a segunda tôrre e coruchéus de inspiração neogótica, recoberto de azulejos. Na mesma ocasião a fachada recebeu elegante frontispício neoclássico e duas portas. A decoração interna, muito simples, data dessa reconstrução.

A rua de Santa Luzia não existia, sendo apenas uma picada na encosta do morro. Foi ampliada e melhorada em 1811 pelo Príncipe D. João, que era devoto da santa. A praia foi finalmente aterrada em 1922, quando arrasaram o morro do Castelo. Hoje, o delicado templo da Virgem, tombado em 1938 pelo SPHAN, contrasta com a massa dos arranha-céus do Palácio Gustavo Capanema(1937/44); Ministério do Trabalho(1937/41); e Palácio Austregésilo de Athayde(1973), erguidos nas proximidades.

IGREJA DE SÃO GONÇALO GARCIA E SÃO JORGE - CPO. DE SANTANA

Essas duas irmandades, a de São Gonçalo Garcia e São Jorge, surgidas ainda no princípio do século XVIII, sofriam hostilidades de outras mais poderosas e resolveram unir-se para construir um templo próprio. Êste foi erguido por provisão de 14 de dezembro de 1748, em terreno doado pelo Cônego Antônio Lopes Xavier. As obras principiaram em 1750 e terminaram em 1780, sendo o templo inaugurado a 20 de abril de 1781. Foi reconstruído no primeiro decênio do século XIX. Depois de 1818, foi-lhe acrescentada uma tôrre sineira. Atingida por um raio que a danificou bastante, foi reconstruída em 1913, quando ganhou um coruchéu neogótico. Seu interior foi todo reconstruído depois de 1913, tendo perdido toda a decoração original. Seu altar-mór, em cimento, imitando obra antiga, guarda imagem de São Jorge, cuja procissão é famosa, sendo igualmente venerada pelos cultos afro-brasileiros.

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