CONVENTO FRANCISCANO DE SANTO ANTÔNIO - LGO. DA CARIOCA
Em 1592, frades franciscanos provenientes do Espírito Santo chegaram ao Rio. Inicialmente, estabeleceram-se numa simples casa. Em 1607 mudaram-se para o antigo morro do Carmo, assim chamado por ter sido antes oferecido aos frades carmelitas, que o recusaram. Já os frades franciscanos não ficaram tão melindrados. Apenas solicitaram à Câmara de Vereadores que secasse a fétida lagoa que existia onde hoje é o Largo da Carioca. A Câmara só cumpriu esse pedido em 1679, abrindo uma vala.
No dia 04 de junho de 1608 foi lançada a pedra fundamental do Convento, sob projeto do arquiteto e frade Frei Francisco dos Santos. A 07 de fevereiro de 1617 foi rezada a primeira missa. As obras na capela prosseguiram até 1617/20, quando o Superior Frei Bernardino de San Tiago as completou. O núcleo da igreja atual ainda é o primitivo, apesar das várias reformas e sucessivas ampliações
De 1697 a 1701 se ampliou a fachada, quando Frei Francisco da Porciúncula acrescentou-lhe uma galilé de três arcadas. De 1716 a 1719, Frei Lucas de São Francisco ampliou a capela-mór, adicionando-lhe corredores, tribunas, etc. Em 1777, Frei Martinho de Santa Teresa transformou os três arcos da entrada em três portas, cujos alizares talhados em mármore de Lióz vieram de Portugal. Em 1920/23, fez-se uma desastrosa reforma na fachada, substituindo-se o antigo frontispício do início do século XVIII, por outro em cimento, de estilo neocolonial. Aumentou-se o teto da nave e arrancaram vários painéis de azulejos. Foi autor da reforma Frei Inácio Hinte. Em 1980, uma restauração do SPHAN recompôs muito do que havia sido perdido. A igreja não possui tôrres, apenas um pequeno campanário-arcada em cima da portaria do convento.
Quanto ao convento, passou por muitas obras em todo o século XVII e XVIII, até que se decidiu por sua reconstrução completa, iniciada por Frei Manuel de São Roque em 1750. Entre 1774 e 1777, Frei Boaventura de São Salvador Cepeda ultimou o conjunto. Em 1779/81 foi construída a portaria e colocada uma imagem de Santo Antônio num elegante nicho-oratório de pedra, dos últimos que sobreviveram no Rio. A imagem era considerada milagrosa e até possuía pôsto militar, recebendo soldo regular do exército até 1910. No século XIX, o convento sofreu muitos danos por ter sido transformado em quartel no Primeiro Império, perdendo obras de arte.
A decoração interior da capela é simples. Em 1620/24 já existiam três altares, que foram substituídos em 1716/19 pelos atuais, em estilo barroco, colocados por Frei Lucas de São Francisco. Nessa ocasião, a capela-mór foi inteiramente revestida de talha, com o teto decorado de pinturas ilustrando a vida de Santo Antônio. Em 1781/83 os altares receberam alterações, mas em 1920 quase foram destruídos por uma reforma mal feita. Nesta oportunidade, arrancaram muitos painéis de azulejos antigos que existiam nas paredes. Aumentaram o teto da nave em três metros, adicionando-se uma talha postiça. O púlpito foi refeito. A pintura atual dos altares data de 1822.
A Sacristia do Convento é a mais bonita do Rio. O magnífico arcaz barroco foi talhado por Manuel Alves Setúbal em 1745. Há belíssimos painéis de azulejos portugueses barrocos e pinturas no teto que contam a história de Santo Antônio. Numa sala lateral, existe um monumental lavabo português de mármore de Extremoz, encimado pela estátua da pureza.