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CONFEITARIA COLOMBO - RUA GONÇALVES DIAS

 

A tradicional confeitaria da rua Gonçalves Dias foi fundada pelos imigrantes portugueses Manoel José Lebrão e Joaquim Borba Meirelles. Logo tornou-se ponto de reunião de intelectuais, como Olavo Bilac e Paula Ney. Sendo originalmente instalada em um sobrado colonial, logo ficou pequena para acolher o crescente número de fregueses, principalmente quando passou a fabricar com exclusividade os produtos que vendia. Em 1912/14 foi construído o prédio atual, ampliado em 1914/18.

Fez a riquíssima decoração interna, com custosos trabalhos de entalhe em madeira estilo art-nouveau, o artista italiano Antônio Borsoi, que igualmente desenhou móveis, objetos e luminárias, dando grande unidade ao conjunto. Os oito grandes espelhos belgas, os maiores da América do Sul naqueles tempos, foram trazidos em três viagens de navios. Na primeira viagem, quebraram quatro. Na segunda viagem, quebraram dois, idem na terceira. O salão de chá no primeiro andar foi inaugurado em 1922 e é obra do mesmo Antônio Borsoi

Foram seus freqüentadores, desde muito tempo, os finados presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Nela foi servido em 1920 o jantar ao Rei Alberto, da Bélgica, sendo na ocasião, confeccionadas todas as louças e cristais comemorativos para o banquete. Os jogadores de futebol Romário e Edmundo, figuras folclóricas, tem mesa própria. Cedendo à modernidade, a casa hoje recebe desde socialite Carmem Mayrink Veiga à emergente Vera Lúcia Loyola; e também desde a vedete Virgínia Lane(que criou marchinha sobre os velhinhos da Colombo) à transformista argentina Isabelita dos Patins. Afinal de contas, foi na Confeitaria Colombo que surgiu a famosa expressão "o freguês tem sempre razão".

Possuidora de um dos melhores e mais famosos serviços de restaurante do país, foi ganhadora permanente das concorrências para servir a ceia do Baile de Gala do Teatro Municipal desde 1932 até a extinção do mesmo, na década de setenta. Tem ainda as figuras pitorescas dos "velhinhos da Colombo", idosos que ficam na porta comentando as novidades correntes, figuras que já viraram marcha de carnaval.

Numa casa que existiu até o princípio do século em frente à confeitaria, escondeu-se em maio de 1789 o célebre Tiradentes, denunciado como membro da Conjuração Mineira, sendo lá preso a 10 de maio. Perto da confeitaria, igualmente existiu até época recente a casa em que morou o poeta Antônio Gonçalves Dias, que morreu antes da confeitaria existir.

Em época recente, atravessando séria crise, a Colombo foi vendida em cotas para uma empresa de produtos alimentícios e para os próprios funcionários, medida que não deu certo. Recentemente foi novamente posta à venda, quando apareceram quarenta compradores. Finalmente vendida, passou agora a servir feijoada aos sábados, servidas por mucamas especialmente trajadas, com grande sucesso. A casa é tombada pela municipalidade.

 

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